Essa pose de menina-meiga-santinha é só disfarce.
No fundo eu escondo o veneno alecrim-doce de uma mulher.

segunda-feira, 26 de março de 2012

O corpo reage ao coração ou reage à mente?

Estou tão cansada. 
Quase não tenho força. 
Hoje estou naqueles dias em que dá vontade de dormir e acordar dez anos depois. 
Você já ouviu falar em sono reparador? 
Queria dormir e acordar dez anos mais linda e dez anos mais burra.  
Interessa a você saber que estou apaixonada?
Impressionante como essa palavra acorda os outros. Eu estou apaixonada, mas não é por uma pessoa. Estou apaixonada pela lembrança de algo leve, solto e rápido, como uma bola de gás que escapa da nossa mão e passa a ficar cada vez menor e mais distante. 

Estou apaixonada pelo impacto da vida, por um tiro certeiro e bem mirado, pelo arrebatamento provocado pelo descuido das minhas defesas.  
Quem está no comando dentro de mim? 
Eu acreditava no amor. 
Toda mulher romântica é uma idosa. Não acredito que eu tenha caído nessa cilada, me apaixonar por uma situação. Por que não estou apaixonada por alguém, estou apaixonada por algo. 
Algo completamente inatingível. 
Totalmente utópico.
Estou apaixonada por marcar encontros, por receber mensagens safadas, emails, por estacionar olhando pros lados, temendo ser reconhecida.  Apaixonada por romances vendidos em banca. Apaixonada pelo xerife que dava liberdade condicional ao meu lado fora-da-lei. 
O xerife desistiu da brincadeira, e eu  precisei voltar pra minha prisão domiciliar. 

Sempre fui muito exigente. 
Quero o circo todo a que tenho direito: sedução, fantasia, tempo. 
Quero um romance longo, quero intimidade. 
Exijo fidelidade de mim, do xerife e dela. 
Algumas atitudes quebram acordos, trazem desconfianças e gera infidelidade. 
Eu sempre disse isso, desde quando me casei aos 20 anos de idade. Fidelidade é mais que sexo. Ser fiel diz mais ao modo de agir e pensar. Ser fiel é saber respeitar. E nisto eu sou exigente. E ela o que acha?


Quem está no comando?
Ela ou eu?
 Quando eu estou no comando, pinçaria do meu caderninho meia dúzia de frases que liquidariam a questão. "Foi bom enquanto durou". "O destino sabe o que faz". "Tudo tem seu preço". "O show deve continuar". Este tipo de clichê.
 Mas quando ela está no comando e como nunca quer voltar pra cela. Acaba sempre em Rebelião no presídio feminino: ela fugiu do meu controle. 
Ela é romântica como uma adolescente. 
Visceral. 
Caótica. 
Ela chora como uma menininha.
 Cria diálogos tão convincentes durante suas madrugadas insones que chega a acreditar que eles aconteceram. 
Viajandona. 
Doce. 
Áspera.
 Virginal. 
Ela me enlouquece. 
Ela determina a hora de voltar pra casa, e eu aguardo por ela com uma ansiedade quase sexual. 
Quem está apaixonada? Ela? Eu? Ou tudo não passa de um sentimento solto, sem dono, caçoando de todos nós?

texto original Martha Medeiros este foi readaptado para minha realidade.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia de flor murcha



Todos nós temos dias de flor murcha.

Hoje é o meu.

Dia em que pisamos numa pedra e cortamos o pé, batemos com a cabeça, falamos besteira ou deixamos de falar o que devíamos. Dias de palavras truncadas, suspiros ansiosos, inseguranças. 
Qualquer coisa dessas - a lista seria imensa - faz de nós frágeis e quase despetaladas flores, mesmo que contra nosso desejo. É tão fácil se abater, e esse efeito acaba tomando a força de uma bola de neve.
Dentre as cenas da natureza, essa é uma das que mais me comove. Depois de exibir tenras pétalas coloridas, atrair insetos com seu pólen, e do alto do seu talo exalar um suave perfume, uma flor rapidamente murcha e se vai. A sequência pode parecer comum a nós também, mas com ela acontece de forma tão rápida para o nosso tempo, que faz com que eu me impressione. 
A grande vantagem de não sermos literais flores é o fato de podermos nos reerguer. Passada a recaída, conseguimos firmar as pétalas, eriçar o talo, e exalar novamente o perfume. 

Viva o amanhã.


Escrito por Luna

sexta-feira, 16 de março de 2012

A vida em uma montanha russa


Transtorno bipolar: a vida na montanha russa


Primeiro a angústia, o desânimo, a falta de vontade de se levantar da cama. Depois, vêm a animação, extrema autoconfiança, sensação de poder, vontade de fazer mil coisas ao mesmo tempo. A primeira impressão é que essas sensações são de duas pessoas, uma depressiva, outra eufórica.
Mas, na verdade, trata-se do mesmo homem ou mulher – alguém que sofre de transtorno bipolar de humor, doença psiquiátrica que atinge cerca de 3% da população mundial, caracterizada por oscilações abruptas de humor, com episódios de depressão e de mania (o oposto da depressão).

A doença mental está entre as dez que mais afastam os brasileiros do trabalho. Ocupa o terceiro lugar na lista, depois da depressão e da esquizofrenia, conforme levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em novembro de 2007.

“O humor é o pano de fundo da nossa vida emocional. Normalmente, se acontecem coisas boas, as pessoas ficam alegres, se acontecer algo ruim, ficam tristes. Para quem tem transtorno bipolar, a lógica não é sempre essa. O humor pode oscilar muito e de forma muitas vezes independente do que ocorre ao redor. Os acontecimentos influenciam de forma nem sempre previsível. Se morre alguém, imagina-se que a pessoa fique triste, mas o bipolar pode entrar numa crise de euforia, ficar ‘elétrico’, ou mesmo irritável e não porque não gostava da pessoa, mas porque o estresse desencadeou uma instabilidade da doença. Por isso, o transtorno é imprevisível”, explica Sérgio Nicastri, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Normalmente, se acontecem coisas boas, as pessoas ficam alegres, se acontecer algo ruim, ficam tristes. Para quem tem transtorno bipolar, a lógica não é sempre essa
Uma das principais evidências de que a doença está relacionada às reações químicas do cérebro é que os remédios dão resultado. Entretanto, o mecanismo de funcionamento da doença é um processo extremamente complexo. Ainda não há certezas sobre neurotransmissores ou reações químicas que estejam envolvidas no desencadeamento da doença. O que se sabe é que alterações da serotonina e da noradrenalina cerebrais estão relacionadas à depressão e a dopamina é o neurotransmissor mais relacionado aos episódios de mania.

Gangorra de sentimentos

Não tinha idéia do que estava acontecendo comigo. Ia trabalhar todos os dias, mas, quando o ponteiro marcava três horas, era como se fosse um relógio biológico, eu precisava largar tudo
“Não tinha idéia do que estava acontecendo comigo. Ia trabalhar todos os dias, mas, quando o ponteiro marcava três horas, era como se fosse um relógio biológico, eu precisava largar tudo o que estivesse fazendo e sair correndo para casa. Porque era insuportável continuar. Eu me jogava na cama e apertava o edredom contra meu peito, a sensação era que ele estava completamente aberto, sem nenhum tipo de proteção e coisas poderiam escapulir dali. Doía muito e o cobertor me dava segurança. Pouco depois, soube que isso se chamava angústia.”

Esse é um trecho do livro Não Sou Uma Só: Diário de Uma Bipolar, de Marina W. (editora Nova Fronteira). Trata-se de uma autobiografia que traz as alegrias e as angústias dessa jornalista, que só descobriu ser bipolar depois de casada e mãe de dois filhos, segredo guardado por ela durante mais de 20 anos. O diagnóstico tardio, inclusive, é um dos principais problemas no tratamento. Ainda é muito comum o paciente ser visto apenas como depressivo quando, na verdade, vai de um extremo a outro.

A transição abrupta entre as fases depressivas e maníacas é chamada pelos médicos de virada de humor. Os episódios de mania e depressão podem variar em dias, semanas ou até meses. “Os bipolares também têm fases de normalidade”, afirma o dr. Nicastri.

Durante a depressão, as sensações são de diminuição da energia, redução ou até incapacidade de sentir prazer, melancolia, desesperança e pensamentos pessimistas ou negativos, que podem incluir a idéia de suicídio. Os episódios de mania geralmente envolvem sensação aumentada de energia e poder, aceleração da velocidade do pensamento, diminuição da necessidade de sono, idéias de grandiosidade e comportamentos desinibidos e pouco críticos, que podem resultar em gastos excessivos, por exemplo. Muito do que se faz nessa fase, os bipolares nem sequer sonhariam em fazer no estado normal de humor.

Para desencadear uma crise não há motivos ou situações específicas. O estopim pode estar relacionado ao estresse, tanto positivo quanto negativo. Perder o emprego, separar-se ou mesmo casar-se e receber uma promoção no trabalho podem ser fatores com potencial para provocar uma crise de mania ou depressão. “Nos pacientes em tratamento, o uso irregular ou mesmo a interrupção da medicação são um fator importante para que novos episódios da doença voltem a se manifestar”, enfatiza o dr. Nicastri.

Diagnóstico na balança

Existe uma tendência de que, em uma mesma família, haja várias pessoas com diagnóstico da doença, o que sugere uma grande participação genética nesse transtorno. Entretanto, ainda não há comprovações científicas. Os fatores ambientais também interferem na manifestação do problema.

O estresse e a rotina agitada podem colaborar para que os efeitos da doença sejam maiores ou menores
“O estresse e a rotina agitada podem colaborar para que os efeitos da doença sejam maiores ou menores”, explica o psiquiatra. Hoje, o ritmo de vida é mais acelerado, o acesso e o consumo de substâncias lícitas e ilícitas que interferem no humor são mais fáceis, por exemplo.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor para o paciente, sua família e amigos. O fato é que alguém que tenha depressão vai procurar ajuda porque se sente mal. Porém, a pessoa que passa por crises de euforia sente-se muito bem – até demais – para achar que esse estado inspire cuidados médicos. Isso pode atrasar a procura por ajuda e, conseqüentemente, o tratamento.

É uma barreira explicar e convencer alguém de que aquele estado de energia intensa, por mais agradável que pareça, é uma doença, por conta dos riscos a que a pessoa se expõe, como a impulsividade que leva a comportamento sexual desinibido, entre outros atos impensados.

Familiares e amigos podem ajudar o psiquiatra nesses casos, sinalizando comportamentos não habituais. Nos casos de gradação leve da doença, a chamada hipomania – quando o paciente é tímido e se torna extrovertido, por exemplo –, quem convive com a pessoa deve sinalizar ao médico que normalmente ela não se comporta daquela maneira. Entretanto, para o paciente é difícil perceber que essas mudanças no comportamento são manifestações do transtorno, mesmo que em grau leve.

Embora a doença apareça mais frequentemente no fim da adolescência ou início da vida adulta, crianças e adolescentes também podem sofrer com esse transtorno. Nos EUA, o número de diagnósticos de bipolaridade entre crianças e adolescentes cresceu 40 vezes na última década. A hipótese para esse aumento é a maior conscientização de médicos sobre o transtorno ou ainda um possível excesso de diagnóstico, em que uma criança mal-humorada pode ser tratada como doente.

Medicamentos e terapia: o caminho para uma vida normal

Assim como uma série de outras doenças, o transtorno bipolar não tem cura, mas controle. É como ter hipertensão ou diabetes: a doença continua ali, mas o paciente aprende a reconhecer sinais, controlar e conviver com ela, enquanto leva uma vida normal. “Queremos que o paciente seja o gerente de sua saúde para reconhecer uma estabilidade ou piora da doença, além de tomar os remédios corretamente”, esclarece o dr. Nicastri.

Os medicamentos mais utilizados atualmente são o lítio e alguns anticonvulsivantes, pois mostram bons efeitos na estabilização do humor. Algumas vezes, podem ser indicados também antidepressivos, mas com ressalvas porque podem, em vez de trazer o paciente para um estado de normalidade de humor, induzir à crise de euforia. Medicamentos conhecidos como antipsicóticos, sobretudo alguns desenvolvidos mais recentemente, têm sido empregados como estratégia para obter a estabilização de humor.

O lítio, primeiro estabilizador de humor, descoberto na década de 1970, ainda é largamente utilizado. Essa substância foi consagrada porque – além de tratar o transtorno bipolar – é capaz de prevenir novas crises. O problema é que se trata de uma substância potencialmente tóxica, o que torna a monitoração da sua quantidade no sangue fundamental para a segurança do tratamento.

Além dos medicamentos, a terapia pode ajudar a pessoa a entender que tem uma doença e a aceitar o tratamento. É dar-se conta de como funciona o transtorno e saber diferenciar o que é normal do que foge do controle. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

SÍNDROME MÃO, PÉ E BOCA



É uma infecção  causada pelo  vírus “coksakie” ou “enterovírus” que acomete  crianças.
Caracterizada pelo surgimento de lesões vesiculosas e ulceradas (aftas) na mucosa oral, lingual,
gengiva e ou lesões eritematosas nas mãos, pés e eventualmente em nádegas. Podendo aparecer
exantemas maculopapulares inespecíficas (bolinhas vermelhas pelo corpo).
A transmissão é feita pela secreção da orofaringe.
Os principais sintomas são:
febre;
disfagia;
dor de garganta;
salivação;
hálito desagradável;
anorexia (falta de apetite);
lesões vesiculosas e ulceradas na mucosa oral, lingual e gengiva.
É auto limitada, com bom prognóstico; a cicatrização acontece em média  de 07 a l0 dias.



Cuidados Gerais

Higiene, principalmente  na  cavidade oral;
Hidratação adequada;
Oferecer alimentos líquidos ou pastosos, de preferência;
Evitar alimentos muito quentes e  condimentados;
Evitar bebidas gasificadas;
Como é uma doença infecto contagiosa, crianças com esta virose não devem permanecer na
creche / escola, devendo o tratamento ser orientado pelo pediatra  assistente.
O retorno  à  creche  /  escola  deverá ser  acompanhado  de  atestado  liberatório  do  pediatra
assistente ou médico especialista.
texto na íntegra:
http://www.samesatende.com.br/s_informa_arq/SINDROMEPeEMaO.pdf

Porque falar sobre este assunto?

Aqui em casa temos 2 com este enterovírus. Achei interessante assunto.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta de Cinzas



Cinza e seu significado para nossa vida


Com a Quarta-feira de Cinzas abrimos a nossa caminhada quaresmal. E para iniciar esta caminhada nós recebemoscinzas, colocando-as na nossa cabeça (testa).  O significado simbólico da cinza está ligado com suasemelhança com o  e com o fato de que ela é o resíduofrio e ao mesmo tempo purificado da queima após a extinção do fogoPor issoem muitas culturas ela é símbolo da morte, da transitoriedade, do arrependimentoe da penitênciamas também da purificação e daressurreição. Para expressar luto, os gregos, os egípcios, os judeus, os árabes e as tribos primitivas espalhavam cinzas sobre a cabeça ou assentavam-se ou rolavam-se sobre as cinzas (alguns textos bíblicos para entender oque foi dito: Gn 18,27;Jó 2,8;13,12;Is 44,20;61,3;Jr 6,26;Ez 27,30;Lm 3,16;2Sm 13,19;Jn 3,6;Mt 11,21). O homem expressa com isso (cf. Gn 18,27) a consciência da relativa nulidade da criatura diante do Criador

Ao recebermos as cinzas ouvimos uma das fórmulas usadas: “Tu és , e em  te hás de tornar” (Gn 3,19). Acinza recorda ao homem o reconhecimento de sua origem. A cinza é leve e por issoela é a imagem das coisas frágeis e efêmeras. Tudo é caduco. E toda avaidadetodo o brilho falso e esta vida mortalum dia conhecerão um fim. Recebemos as cinzas para nos relembrar de que somos ; é uma lembrança de que somos , de que não temos morada certa neste mundo, de que a morte é a única realidade inevitável no futuro de nossa existência. Na verdadenão é a morte que é absurda e sim a vida sem a morteMuitos se esquecem da morte e por isso, acabam vivendo absurdamente e acabam vivendo somente em função do prazerComo foi dito uma vezquem vive em função do prazernão tem prazer de viver. O prazer deve ser resultado de um viver bem. E para nós cristãos viver bem significa viver de acordo com os valores cristãos. A cinza é uma lembrança incômoda para quem acredita que o presente histórico é absolutoMas esta lembrança, na verdadenos ajuda a vivermos bem, a colocarmos as coisas no seu devidolugar para ganhar seu justo valor e sua justa perspectiva.

Com as cinzas recebidas o homem experimenta o próprio nadaPara expressá-lo, cobre-se de cinzaQuando o homem experimenta o seu nadanão há lugar nele paraarrogância. Ao contrárioele volta a ser humilde: humus, criatura dependente de DeusQuando vivemos a humildade que é a nossa própria existência opoder e a glória mundanos não vão nos atingirMas quando o homem deixar de reconhecer sua condição de criatura, querendo igualar-se a Deus,  ele se tornará um  morto e por isso, terá que voltar à terra de que foratirado, “porque és em  te hás de tornar” (Gn 3,19).

somente quando o homem reconhece que é que faz parte da terra, e que tudo o mais provém de Deus, brotará novamente a vida desse . E certamente as cinzas usadas na Quarta-feira de Cinzas provém das palmas do Domingo de Ramos do ano anteriorpalmas triunfais do Cristo vitorioso sobre o pecado e a morte.Cristo, morrendo, deu nova vida à terraconquanto ohomem se reconheça como terra. A quem assimconfessa o próprio nada faz-se ouvir a promessa de Jesus Cristo que vem triunfar do pecado e da morteconsolar os aflitos e dar-lhes, em lugar de cinzasum diadema, uma coroa de um rei.

Ao receber as cinzas, o cristão testemunha o absoluto de Deus em sua vida. E como conseqüência da profissão sobre o absoluto de Deus, o cristão relativiza todas as coisasIsto quer dizer que as coisas somente têm seu valor em relação ao seu CriadorSob o sinal das cinzas, ocristão reafirma hoje a sua liberdade de filho de Deus e ao mesmo tempo reafirma sua condição como  ou criatura e que  pode sobreviver como tal por causa da misericórdia de Deus. E Deus não tem como não ajudá-lo, pois o ser humano foi feito de acordo com a própria imagem de Deus (cf. Gn 1,26). Devemos lerportanto, astrês práticas de piedade apresentadas através do evangelho deste dia que abre nossa caminhada quaresmal.

A leitura do Evangelho quer responder a seguinte pergunta: “Como agradar a Deus?”. A prática da esmola, da oração e do jejum tem finalidade de sintonizar-noscom a vontade do Pai, de forma a preparar-nos da melhormaneira possívelpara a celebração da Páscoa.

Jesus enuncia o princípio geral sobre a prática dessa piedade. Estas obras de piedade não se devem praticarpara ganhar prestígio diante dos homens e com isso,adquirir posição de poder ou privilégio. Os que fazemassim privam-se da comunicação divina, cessa a relaçãode filho-Pai com DeusSegundo Jesus, ninguém merece agraça de Deus se ele finge executar ação que nãocorresponde à atitude interior que ele chama de hipocrisia.
 esmola (vv.1-4)

linguagem utilizada por Mt nesta passagem e nas outras duas seguintes revela uma forte polêmica entre cristãos e judeus. Os hipócritas são os fariseus do tempodo evangelista que praticavam e queriam impor aos outros um cumprimento externo da Lei de Moisés. Segundo Jesus aos quer querem entrar no Reino dos céus devem cumprir a vontade do Pai sem ostentação.

expressão utilizada por Mt para descrever esta atitudecomportamento(praticar a justiçasomente aparece neste evangelho sete vezesCinco delas se encontramem Mt 5-7) e tem uma grande importância para ateologia de Mt. Mas não se trata da justiça como a entendemos. Quando se fala da justiça nos círculos judaicos trata-se do conjunto de atos que fazem o homem merecedor da salvação. Entre os fariseus do tempo de Jesus estes atos de piedade eram fundamentalmente três: a esmola, a oração e o jejum.Mas para muitos estas práticas se tornavam uma questãopuramente externa e um motivo de orgulhoaté o ponto de que alguns faziam exibição pública de sua religiosidade(justiça).

Os profetas do AT falam freqüentemente do dever da compaixão para com o pobremas eles acentuam muito mais a justiça do que a caridade. O mendigo ou o pobre é acusação de um sistema injusto que gera pobres e miseráveisdependentes da “bondade” alheia.  Mendigo é o fruto de uma sociedade que não quer partilhar seus bens para os outros(Mas de outra ladocerto mendigo é aquele que quer uma vida fácilpois pela experiência,muitos não querem trabalharapesar de alguém oferecer-lhe trabalhoMas eles são apenas um grupo pequeno).

esmola deve ser expressão da misericórdia que existe no coração de quem se faz solidário com a carência alheia. A solidariedade acontece quando o homem tem compaixãoquando sente na própria pele o sofrimento alheio. O que sobra para nóspor pouco que seja, sempre faz falta para os outros que não tem nadaMas sempre ficamos incomodados, pois sabemos que isso nuncaresolverá completamente o problema do mendigo ou dopobreMas a esmola é um sinalum lembrete de quedevemos lutar por um sistema econômico que realmentefaça uma partilha justa dos bens. Reflitamos as palavrasde São Basílio(+ 379): “Ao faminto pertence o pão que guardas. Ao homem nu, o manto que guardasaté nos teus cofres. Ao que anda descalço, o calçado que apodrece em tua casa. Ao miserável, o dinheiro que guardas escondido. É assim que vives oprimindo tanta gente que poderias ajudar”. E Santo Agostinho acrescenta: “Senhor te fez servo bommas tu criaste em teu coração um mau senhor. Ficas alegres por causa da riqueza do cofre não te lamentas pela pobreza de teu coração? Há acréscimo em tua arcamas observa bem o que diminui em teu coração”.

próprio Jesus menciona a esmola para censurar a ostentação(cf. Mt 6,22ss). Isso devemos começar dentrode nossa famíliaEnquanto isso não acontece, ficamos incomodados.

Ao dar a esmola Jesus pede  a separação da pessoaquem a dá do seu gesto“...a tua mão esquerda ignore aquilo que faz a direita...E o teu Pai...dar-te-á a recompensa”(vv.3-4). O resultado do bem fica escondido ao homem que recusa de ser o juiz de seus atos.  O únicocapaz de apreciar é um Deus invisível  que habita nosegredo e não presta conta a ninguémUm dito populardiz: “Se você fizer um benefícionunca se lembre dele; sereceber umnunca se esqueça dele”. A vida vivida apenaspara satisfazer a própria pessoa nunca satisfaz ninguém.Não há melhor exercício para fortalecer o coração do queestender o braço para baixo e erguer pessoas. A bondade é o único investimento que nunca falha.

 oração (vv5-6)

instrução sobre a oração (vv.5-15) é a mais extensadas três práticas de piedade judaica e está situada nocentro literário do Sermão da Montanha. Esta instruçãoestá composta por uma introdução sobre a forma de orar(vv.5-8), o Pai-Nosso (vv.9-13) e uma conclusão que falado perdão(vv.14-15).

Através deste texto Mt quer fazer uma catequese sobre aoração cristã, semelhante a de Lc (Lc 11,1-11), mas cadaum dos dois evangelistas se dirige a um grupo distinto. Lc escreve para uma comunidade que necessita aprender aorar. Mt, ao contrário, escreve para uma comunidade que sabe orarmas necessita aprender a fazer a oração deoutra maneira (“Quando orardes, não sejais como oshipócritas...” v.5.7). Lc tem diante de si uma comunidadede origem pagã que não tem hábito de orar(será queviraremos pagãos se pararmos de orar?). Mt, aocontrário, está diante de uma comunidade onde há bastantes judeus que haviam aprendido a orar três vezespor dia desde sua infância.

Mt enfrenta um problema em relação à prática de oração. A oração como as demais práticas religiosas os fariseusconvertem em um motivo de ostentação e em umaprática pura externa. A oração não é mais um momentode falar com Deusmas serve de instrumento paraalcançar honra e prestígio diante dos homens.

Mt convida os cristãos a recuperar o sentido religioso daoração, purificando-a daquilo que há desviado a oraçãode seu fimPara Mt a oração do cristão deve estabelecerum relacionamento íntimo com o Pai“...entra no teuquartofecha a porta, e reza ao teu Pai” (v.6a), numclima de abandono e confiança em Deus: “Pai de vocês conhece as necessidades que vocês têm”(v.8). Oscristãos devem orar como Jesus orava. E o estilo destaoração é condensado na oração do Pai-Nosso (vv.9-13).

Uma das principais raízes da vida cristã que nos ajuda a sugar a energia inesgotável do amor divino é a prática daoraçãoNossa oração deve ser discretavivida na intimidade de nosso coraçãorepleta de silêncio capaz deperceber as insinuações do Espírito SantoMas  se cresce na vida de oração, reservando a ela, diariamente, o mesmo tempopelo menosque reservamos às refeições que nutrem o nosso corpo.

jejum

Sobre o jejum Mt utiliza o mesmo esquema literário que há utilizado  nas duas instruções anteriores (quando...nãofaçam como os hipócritas: v.2.5.16). Como  foi refletido no domingo anterior, o jejum era uma prática estendida entre os grupos religiosos ao redor de Jesus (Mt 9,14). Os fariseus jejuavam duas vezes por semana (Lc 18,12).

Mt relata que Jesus praticou o jejum para preparar-seantes de exercer sua missão (Mt 4,12). E a comunidadede Mt praticava o jejum (Mt 9,15), mas Mt quer dar um sentido novo a esta prática, evitando toda a ostentação exterior.   
     
Com o jejum evitamos que os bens deste mundo não nos escravizem. Faz uso deles para o bem próprio e do próximo, e neles degusta o Bem maior que é DeusJejuarentão, significa abster-se de alimentotomar uma atitude de respeito e de liberdade diante das coisasfazerespaço para os outros e para Deusconfiar na providênciade Deusconstituir um ato de conversão a Deus atravésdas coisas. Neste tempo quaresmal devemos aprender amorrer com Cristo para renascer com eleCom a ajuda desua graça, devemos combater tudo aquilo que, na nossavida, impede o nascimento do homem novo anunciadopelo Evangelho: nossas tendências burguesas, nossospequenos apegos, o comodismo ou o medo que nosimpedem uma atuação mais eficaznosso farisaísmo em querer fazer aquilo que nos dá vantagem ou prestígio,nosso vício/nossa dependência da TV ou do mundo virtualcomo a internet etc.

Muita gente acha que a quaresma é apenas um tempoem que não se come carne às sextas-feiras. No Brasil agrande maioria não come carne em dia nenhum não porcausa de dieta ou por questão de saúdemas porque não tem condição para ter carnePor issoaqueles que não passam necessidade, devem mesmo por uma questão desolidariedade aos necessitados, privam-se de carne ou de outras coisas.

jejum que agrada a Deus, diz o profeta Isaías (Is 58,1-14) é quebrar as cadeias injustas, libertar os oprimidos,realizar a justiça.

quaresma, neste sentido, é o tempo em quereassumimos a nossa vida cristã com um engajamentoefetivo de transformação do mundo em vista do Reino deDeus.

Quanto tempo falta para o natal?

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